Como era de se esperar, a greve geral do último dia 28 suscitou uma desgastante confusão que contrapunha apoiadores, para os quais esse tipo de mobilização é crucial na consecução de pautas importantíssimas para o trabalhador brasileiro, e detratores, que questionavam a legitimidade política da greve e focavam nos eventuais transtornos que trouxe à população (quando não, a suposta vinculação partidária). É um debate antigo; greve é um tema polêmico, que, além das linhas gerais, tem mesmo de ser analisado caso a caso, ponto a ponto.
Ainda que muitas greves sejam deflagradas de surpresa ou em assembleias pouco representativas, o que configura basicamente começar mal, é preciso observar que a greve, além de ser um direito constitucional do trabalhador, muitas vezes representa a única forma de forçar uma negociação com empresários, sindicatos patronais ou mesmo o poder público, quando é o caso. E forçar uma negociação, em parte significativa das situações, representa não a obtenção de vantagens supérfluas ou caprichos, mas sim a manutenção de direitos ou pleitos justos por condições de trabalho minimamente aceitáveis (o que, em muitas categorias, ainda está longe do ideal).
Na cabeça dos detratores das greves, sempre paira a ideia de que os sindicatos têm vinculação partidária de esquerda, o que confere uma "motivação política" à greve que a deslegitima. Bom, para além de discussões vazias em plenários parlamentares, existem diferenças básicas entre a esquerda e a direita que têm total relação com as questões trabalhistas. A saber, a esquerda acredita que empresas estatais fortes representam solidez e justiça social, enquanto que a direita vê nisso apenas anacronismo e crê que as privatizações otimizariam o funcionamento dessas instituições; a esquerda defende um forte aparato de direitos e garantias aos trabalhadores como modelo justo de relação trabalhista, enquanto que a direita prega que menos direitos representam um mercado mais dinâmico e com mais geração de empregos; a esquerda acredita em tributação de grandes patrimônios e estabilidade do emprego, enquanto que a direita quer poucos impostos e mercado dinâmico. Meus amigos: essas diferenças, muitas vezes inconciliáveis, ditam o tom das greves. Se a greve é levada a cabo por trabalhadores, é natural que a ampla maioria deles - que votarão na eleição de seu sindicato, que serão eleitos para a direção do sindicato - seja contrário a privatizações, demissões, retirada de direitos trabalhistas e praticamente tudo que a esquerda acredita, ao menos no que tange à economia. Logo, a conclusão, mais que óbvia, é lógica: sim, as greves são majoritariamente levadas a cabo por gente de esquerda, e sim, com objetivos políticos, pois eles interferem diretamente na vida do trabalhador.
Também dessa dicotomia entre polos ideológicos é que vem a usual detração da imprensa aos movimentos grevistas. Como acho que até já disse aqui no DD, veículos de imprensa, antes de serem "informantes", "investigadores" ou seja lá como se intitulem, são empresas, com visão de lucro, e têm fortes interesses econômicos em jogo. Assim, não me pareceria, de fato, lógico que um veículo de imprensa que, por ser uma empresa, tende a alinhar com os interesses dos patrões em geral, defendesse movimentos trabalhistas. Ainda que, naturalmente, a abordagem e o grau de comprometimento variem de um veículo a outro, as coberturas jornalísticas sobre as greves tendem ao lamentável caminho da desqualificação, dos holofotes sobre o que há de negativo. Isso contribui, e muito, para o acirramento das tensões entre patrões e trabalhadores, e entre estes e quem olha de fora.
Em resumo, há muito mais para ser analisado além de concepções genéricas e óbvias. Porém, dada a particularidade de cada greve, a responsabilidade é necessária ao proferir qualquer julgamento; não esqueçamos da complexidade do tema e da vastidão de interesses corporativos e pessoais que a coisa política - incluindo seus âmbitos sindical, estudantil e agrário, além do público - envolve, a qualquer tempo, em qualquer espaço.
Ainda que muitas greves sejam deflagradas de surpresa ou em assembleias pouco representativas, o que configura basicamente começar mal, é preciso observar que a greve, além de ser um direito constitucional do trabalhador, muitas vezes representa a única forma de forçar uma negociação com empresários, sindicatos patronais ou mesmo o poder público, quando é o caso. E forçar uma negociação, em parte significativa das situações, representa não a obtenção de vantagens supérfluas ou caprichos, mas sim a manutenção de direitos ou pleitos justos por condições de trabalho minimamente aceitáveis (o que, em muitas categorias, ainda está longe do ideal).
Na cabeça dos detratores das greves, sempre paira a ideia de que os sindicatos têm vinculação partidária de esquerda, o que confere uma "motivação política" à greve que a deslegitima. Bom, para além de discussões vazias em plenários parlamentares, existem diferenças básicas entre a esquerda e a direita que têm total relação com as questões trabalhistas. A saber, a esquerda acredita que empresas estatais fortes representam solidez e justiça social, enquanto que a direita vê nisso apenas anacronismo e crê que as privatizações otimizariam o funcionamento dessas instituições; a esquerda defende um forte aparato de direitos e garantias aos trabalhadores como modelo justo de relação trabalhista, enquanto que a direita prega que menos direitos representam um mercado mais dinâmico e com mais geração de empregos; a esquerda acredita em tributação de grandes patrimônios e estabilidade do emprego, enquanto que a direita quer poucos impostos e mercado dinâmico. Meus amigos: essas diferenças, muitas vezes inconciliáveis, ditam o tom das greves. Se a greve é levada a cabo por trabalhadores, é natural que a ampla maioria deles - que votarão na eleição de seu sindicato, que serão eleitos para a direção do sindicato - seja contrário a privatizações, demissões, retirada de direitos trabalhistas e praticamente tudo que a esquerda acredita, ao menos no que tange à economia. Logo, a conclusão, mais que óbvia, é lógica: sim, as greves são majoritariamente levadas a cabo por gente de esquerda, e sim, com objetivos políticos, pois eles interferem diretamente na vida do trabalhador.
Também dessa dicotomia entre polos ideológicos é que vem a usual detração da imprensa aos movimentos grevistas. Como acho que até já disse aqui no DD, veículos de imprensa, antes de serem "informantes", "investigadores" ou seja lá como se intitulem, são empresas, com visão de lucro, e têm fortes interesses econômicos em jogo. Assim, não me pareceria, de fato, lógico que um veículo de imprensa que, por ser uma empresa, tende a alinhar com os interesses dos patrões em geral, defendesse movimentos trabalhistas. Ainda que, naturalmente, a abordagem e o grau de comprometimento variem de um veículo a outro, as coberturas jornalísticas sobre as greves tendem ao lamentável caminho da desqualificação, dos holofotes sobre o que há de negativo. Isso contribui, e muito, para o acirramento das tensões entre patrões e trabalhadores, e entre estes e quem olha de fora.
Em resumo, há muito mais para ser analisado além de concepções genéricas e óbvias. Porém, dada a particularidade de cada greve, a responsabilidade é necessária ao proferir qualquer julgamento; não esqueçamos da complexidade do tema e da vastidão de interesses corporativos e pessoais que a coisa política - incluindo seus âmbitos sindical, estudantil e agrário, além do público - envolve, a qualquer tempo, em qualquer espaço.
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