Quando eu era militante estudantil, sempre que o assunto era a Venezuela, os companheiros da esquerda dedicavam elogios aos borbotões ao sistema bolivariano do então presidente Hugo Chávez, de como ele havia reduzido a desigualdade social e a pobreza no nosso irmão sul-americano, tão maltratado por séculos de oligarquias. Não digo que estivessem errados, até porque a tão falada redução da pobreza e das distorções econômicas constitui um fato evidente e estatisticamente comprovado. Chávez ainda pôde se defender das acusações de ser ditador com sucessivas reeleições em pleitos tranquilos e sequer muito contestados pelos detratores do sistema, vejam só. O que me preocupava era o caráter irrestrito, incondicional e voraz dessa defesa feita pelos companheiros, o que não se justifica nesse caso ou em nenhum outro, e o pior de tudo: a extensão dessa defesa ao sucessor de Chávez, Nicolás Maduro. Ao defenderem sistemas considerados autoritários, seja de que matiz ideológico for, as pessoas...
Lembro-me de, alguns anos atrás, opositores do então governo Dilma queixarem-se da falta de "segurança jurídica" no Brasil, alegando que atitudes intervencionistas, irresponsáveis ou contraditórias do Planalto criavam um "cenário de incerteza" para empreendedores e investidores, prejudicando a situação econômica do país. É curioso perceber como a passagem do tempo pode nos fazer olhar para as situações de maneiras diferentes. Uma vez concretizada a saída de Dilma da presidência da República, tão almejada pela turma do capital financeiro tão preocupada com a "insegurança", bom, a coisa entrou numa espiral de complicações tão grande que hoje temos muito mais motivos para fazer queixas desse tipo. Boa parte da equipe de primeiro escalão nomeada por Michel Temer há pouquinho mais de um ano já deixou o cargo em razão de investigações e denúncias, ou ao menos caminha na corda bamba pelo mesmo motivo. As queixas a Dilma pela rápida troca de Janine Ribeiro na pa...